|
| ||||
Renúncia |
||||
|
Maldito seja o sangue de poeta Que flui através do meu coração! Maldita seja toda a geração Dos meus antepassados e meu avô poeta. Pois no âmago do meu ser Carrego um dom que é maldito: Transformo em poesia tudo que é dito. E malditamente incompreendida sempre vou ser. Quisera nunca mais escrever! Para jamais ouvir de novo Que isso ou aquilo fiz ou deixei de fazer. Ninguém é capaz de compreender Que o que escrevo eu não vivo Sinto sem sentir, escrevo só por escrever. |
O poeta é um fingidor. Assim já dissera o profeta, exímio escritor e esteta, português e grande pensador e criador. Mas em mim tudo é dor e decepção Pois tudo o que escrevo e imagino Não necessariamente vem de meu coração Muitas vezes é mera invenção Mas as pessoas não me compreendem: Lêem o que escrevi E sem me conhecerem Inventam e dizem que eu realmente vivi Todas as emoções que temem Que eu tenha tido e na verdade não tive. |
|||
|
É por isso tudo que hoje renuncio Ao terrível vício de escrever Que me enlouquece, qual gata no cio, E não tenho paz sem as poesias fazer. Mas isso tudo está me matando. Não agüento mais tanto tormento Sem me conhecer as pessoas ficam me julgando. A minha criação poética tornou-se sofrimento. Então hoje eu me mato e morro Para nunca mais escrever nada Podes me chamar de louca se eu corro Da minha própria alma transtornada Mas eu cansei do meu mesmo choro E da existência abandonada e enganada. |
Caminho nas sombras, entre a multidão De pessoas enganosas, cujos rostos São puro disfarce e enganação. Cansei de tê-los comigo dando desgostos. Vou-me embora. Para mim basta a agonia De sabê-los interpretando erroneamente Os meus escritos, a minha poesia. O que escrevo, deturpam maliciosamente. Estou cansada, minha gente Ingrata, que se passa por amiga E na verdade faz intrigas sub-repticamente Quando dou as costas é minha inimiga Mas me cobre de elogios na frente Estou cansada da intriga. |
|||
|
Aos que ficam, boa guerra Que a paz está comigo. Possa voltar atrás quem erra E eu chamarei de amigo. Tirei as máscaras, aqui estou Pedindo perdão pelos erros passados Mas e vocês, o que restou? Falsas palavras, corações pesados. Atire a primeira pedra quem nunca mentiu. Alguém aqui realmente foi sincero? Ninguém diz verdadeiramente o que sentiu Acaso serei eu o único a não ser vero? Diante de quem nunca me viu Não seria disparate mero? |
Cansei do jugo opressor Daquele que se julga meu conhecedor. Ninguém aqui me conhece! Todos apenas imaginam algo que me parece Mas essa primeira impressão que sentiram Vem das poesias minhas que vocês viram. Sendo assim, fantasiaram me conhecer, Quando na verdade ninguém aqui possui o saber Sobre a real extensão do meu ser Tudo não passa de especulação. A muitos poucos é dado me conhecer. O que pensam saber de mim é invenção. Minha essência é mais do que podem perceber. Tudo o que pensam sobre mim é mera imaginação. |
|||
SocorroTenho dúvidas, conflitos.Como muitos deste lúgubre morro, Às vezes dou desesperados gritos Clamando por socorro. Mas nem sempre sou ouvida E meus apelos atingem ouvidos moucos Sou quase sempre mal-entendida E mal interpretada por esses loucos. Que sentem não sei que coisas sobre mim. Talvez raiva, amor, amargura Dor, ciúmes, ou inveja, enfim. Fazem em meio a sua loucura Comentários maus quanto a mim. Que me importa se é deles a loucura? |
Basta!Olhei-me no espelho uma última vez,Retoquei a maquiagem escura Contrastando com a alvura da minha tez. E parti, abandonando a loucura. Cansei de ser a culpada da amargura Alheia, cheia de insensatez Não sou essa criatura impura Que sentir você me fez. Um dia, uma semana, um mês, Saiba que sem ti posso passar. Anos e décadas, a eternidade talvez! Não vou mais sofrer e aqui ficar! De teu rebanho não sou mais uma rês Para que possas me controlar e comigo brincar. |
|||
Todos os sonetos acima foram escritos em 13/05/2004, em aproximadamente 2 horas,
e formam um único bloco, onde as emoções e os sentidos se fundem, se misturam,
se contradizem e se reafirmam através das palavras soltas ao acaso, quase por acaso,
pois a minha intenção não era fazer sonetos, muito menos 8 encadeados, ou 11,
se contarmos os outros 3, logo abaixo, feitos no dia 14/05/2004! | ||||
EnterroSonho com sangue, volúpia e desejoSinto-me presa a um pesadelo De luxúria e morte, tudo que almejo. Me levanto e me arrumo com desvelo. Estou indo ao meu próprio enterro Passo pelas sombras que só eu vejo E chego ao lúgubre reino do erro E com a pistola meu coração alvejo. Pronto! Está feito. Como em sonho eu me sinto, O coração a sangrar no meu peito. Já estou morta? eu pressinto. E vejo tudo o que foi feito. Vi meu mesmo enterro, não minto! (Thais Drimel - 14/05/04) |
Meu VampiroMeu querido vampiro e amante,Venha e me traga o fim pois estou cansada de mim. Quero tua mordida embriagante! Possua-me de corpo e alma, enfim... Quero a imortalidade luxuriante no auge da minha juventude exuberante para sempre permanecer assim. Ao teu lado quero estar e tua amante e consorte serei. Juntos iremos nossa sede saciar Os corpos dos pobres mortais a profanar. Do mais forte essa é a lei. Apenas o imortal poderá ganhar! (Thais Drimel - 14/05/04) |
|||
MorpheusDeitei-me em meu negro ataúde de madeiraE fechei os olhos, invocando o Rei. E ele veio, trazendo a poeira Que me levou ao que sempre sonhei. Em seu reino de sonhos penetrei, Deslumbrada pela brincadeira. Com o Mestre dos Sonhos eu dancei. Ele, Morpheus, me olhou de forma zombeteira. - O que desejas aqui, minha criança? Vim lhe ver e adorar, ó Grande Mestre. - Acaso tens, de sair daqui, alguma esperança? Não, Senhor, não tenho. A vida me cansa. Desejo abandonar a vida terrestre E sonhar eternamente com esta dança. (Thais Drimel - 14/05/04) |
||||