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Thaís Drimel Andrade


A noite vazia.
Todo meu ser silencia:
Cadê a poesia?

Noite infeliz,
Por quê estou tão triste?
Estou sozinha.

Noite escura
Fria, sem estrela ou lua,
Sinto-me vazia.

A noite fatal
Que prenuncia o punhal
Em meu coração

Lua nova, negra
Revela o oculto.
Vejo os vultos

Na escuridão,
Vejo sombras e vultos,
De gente morta

Minha solidão
Tão só, na noite negra,
Penso em morrer

Não quero mais ver
A violência noturna.
Fecho os olhos

Noite serena,
Cheiro de açucena,
Eu morro em paz.


Silêncio brutal,
Quebrado pelo grito.
Noite sepulcral.

Na noite malsã
Insana lua fulgura
Que traz loucura.

Percebo no céu
Uma luz, sozinha, triste,
Estrela órfã

Lua negra no céu,
Sinto Maya velada,
Cortando o céu

Noite tão bela,
Em meu ser de donzela
Sinto luxúria

Estranha noite
Já sinto o açoite
Rasgar minh'alma.
Perco-me na rua
Não sei mais onde estou.
De onde eu vim?

Sento-me no chão,
Olho estrelas no céu.
Para onde vou?

Quem é você? Eu?
Eu e você somos Um?
Eu não sei dizer

Não sei de nada,
Nem da vida, nem de Deus,
Você saberia?

(29 e 30/05/2003)
Agora leia apenas a última linha dos haikais de cada coluna... e veja se você gosta...

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