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Último Adeus
" Quando o tempo passar...
...E ao pó eu voltar,
Quero ser lembrada por todos,
Mas não quero ter a angústia
De ver lágrimas ou lástimas
Estampadas nos rostos
De quem eu quero bem
Saudades quero deixar,
Sem tristezas ou desgostos,
Pois, quando eu partir,
Na verdade,
Não estarei morrendo,
E sim, nascendo
Para a Eternidade."
(Thaís Drimel Andrade - 09/ 92)
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Alguém
" Você me pergunta quem eu sou...
Bem, quem sou eu?
Eu?! Ah, eu sou alguém...
Alguém que na verdade não é ninguém.
Ninguém...é isso que eu sou .
Não possuo rumo certo, meu destino é incerto,
Apenas vou errando pelos caminhos da vida.
Eu sou eu, confusa, perdida, abandonada,
Desiludida, desenganada e pela vida maltratada.
Eu? Eu sou sozinha, não tenho ninguém
Mas, há alguém, alguém que me tem...
Eu sou alguém que um dia sonhou
E por isso amou.
Foi somente após ter amado
que descobri que havia sonhado
E que tudo havia sido em vão,
Que tudo não passou de mera ilusão.
Percebi que havia perdido aquele a quem amei.
Então eu me desesperei e lembrei
Que um dia eu quis a vida
E ela me abandonou,
Em seguida, procurei a morte
Mas tampouco ela me consolou.
Ontem, eu desejei amar alguém que me amasse
Mas amei e não fui amada de verdade.
Hoje, desejo apenas amar alguém.
Amanhã, desejarei simplesmente amar,
Amar alguém, amar a todos e a tudo,
Amar pelo simples fato de viver para amar... "
(Thaís Drimel Andrade - 21/03/ 94)
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Vivência
" Muitas vezes no espelho eu me olhava
Mas não me via, não me reconhecia,
Eu procurava e não me encontrava.
Aquela imagem refletida,
Imagem antes minha tão querida
Já não mais sorria, não ria,
Tampouco a vida nela existia.
Aqueles olhos outrora tão cintilantes,
De felicidade radiantes,
Estavam baços, sem vida, sem cor,
Como que envoltos numa névoa de dor.
Todo o meu ser ruía, caía, morria
E eu sentia que minha vida
Lentamente se esvaía
Enquanto em prantos eu me desfazia.
Me sentia derrotada, abandonada, perdida.
Mas, algo dentro de mim também crescia,
Uma vontade louca de respirar, gritar,
Que aumentava cada vez mais.
Dos meus grilhões eu queria
E podia me libertar
Essa força crescia mais e mais,
Eu sentia-me renascendo, revivendo,
Quase livre de toda dor.
Estava novamente vivendo
Como se fosse a primavera em flor
Renascendo com vida e vigor após o inverno,
Já me sentia livre daquele inferno
Pelo qual havia passado.
Do pesadelo eu havia despertado
Para não mais errar, nem chorar.
Não mais me deixarei abater
Nem pela vida me deixarei derrotar.
Jamais esquecerei de tudo o que eu passei
Pois sofrendo, aprendi a lutar,
Chorando, aprendi a sorrir,
Perdendo, aprendi a amar,
Errando, aprendi a viver.
Jamais desistirei novamente
E, amando e vivendo
Eu seguirei em frente.
Viverei para amar e ajudar
A todas as pessoas
E nesse altruísmo chamado amor
Esquecerei toda a dor
E terei apenas as lembranças boas.
Agora vejo a Vida como um arco-íris
De esperança e bem-aventurança;
E as pessoas são como brutos diamantes
Que a Vida lapida com as provações diárias
Para depois polir com o Amor
Transformando a todos
Lindos e valiosos brilhantes
Que cintilam com as cores do arco-íris,
E irradiam amor, paz, bondade,
Pureza, sabedoria, luz, felicidade. "
(Thaís Drimel Andrade - 03/08/ 94)
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Ser...
" Sou um pássaro,
Poderia viver nas alturas, no Céu
E cantar ao Sol, à Lua e às Estrelas,
Mas na terra prefiro ficar,
Nos galhos de uma árvore a viver
E aos homens cantar
Sobre o Sol, a Lua e as Estrelas,
Repartindo com eles o meu viver
E também o meu saber
Sobre a Vida e as coisas de Deus.
Viver assim, num eterno louvar,
Repleto de amor,
Com um constante ansiar
Por um não sei o quê...
Talvez sejam saudades,
Mas, saudades de quê?
De um tempo ido, esquecido
De algum lugar encantado
Outrora encontrado
Porém agora perdido.
De um paraíso onde os pássaros
Compreendiam os astros
E estes compreendiam a Deus,
E os homens compreendiam os pássaros
E todos juntos a Deus louvavam,
E em toda parte Deus era encontrado.
Todo o amor e devoção de toda a Criação
Em um único grão de areia podiam ser condensados....
...Perdoem a este pobre pássaro
Que fica perdido em meio a devaneios
E que sente saudades de longínquas eras
Cujos resquícios de sonhos não passam.
Ilusões, fantasias, poesias e quimeras
De uma alma ardente, que vive a ansiar
Por coisas que nem a mente,
Nem olhos humanos poderão
Algum dia divisar.
Pois o dom de sonhar e lembrar, amar e louvar
Coisas antes jamais sonhadas
E tampouco imaginadas
É dado somente aos sonhadores corações
Que ainda crêem em ilusões
E não têm mais medo de sofrer...
Corações assim como o meu,
Cujas dores tentam esquecer
Em meio a doces sonhos, devaneios, poesias
Quimeras, fantasias e ilusões...
Perdoem a mim, este pobre pássaro,
Que tenta esquecer a própria dor
Falando de coisas impossíveis e também de amor.
Perdoem a este pássaro insano, por favor... "
(Thaís Drimel Andrade - 09/ 94)
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Incompreensão
" Sou um talento perdido
Talvez até mesmo uma mente brilhante,
Tenho um coração desiludido
Por um sonho nunca sonhado
E um amor jamais vivido.
Meu espírito é errante:
Pelo mundo vou vagando,
Sob a luz ofuscante
Do Sol e sob a luz prateada
Da Lua, sigo sozinha, pela estrada.
Minh'alma vive atormentada,
Não pela dor do meu perdido amor
Nem pela incerteza do meu destino
Pois sei que será breve
Minha estadia neste mundo:
Sou como a pluma leve
Que balança, sem rumo, ao sabor do vento.
Meu grande e único sofrimento
É justamente saber que em todos os lugares
Pelos quais já andei, nunca conheci alguém
Que pudesse me compreender.
Hei de deixar esta vida
Sem jamais ter sido amada, compreendida,
Perdoada ou amparada por alguém.
Ouço a zombeteira voz do Destino a me gritar:
"Desistas! Ninguém jamais te compreenderá!
Primeiro, de pesar tu morrerás! "
(Thaís Drimel Andrade - 05/08/ 95)
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Quisera Eu
"Quisera eu descrever aqui,
Nestas pobres linhas,
Tudo o que eu vivi e senti
Porém não consigo me expressar
Nestes versos sem rimas.
Só me resta a dor, a muda dor
Do vazio que cala meu ser.
Quisera eu poder gritar
E escrever aqui tudo o que sinto,
No entanto, o papel ainda em branco
Zomba de mim
E ri, em toda a sua alvura,
Desta minha tortura
Que dilacera minh'alma muda.
Quisera eu não mais sofrer
E aqui poder escrever
Tudo o que sinto
E, através da poesia
Acabar com o padecer infindo
Que tanto angustia
O meu viver."
(Thaís Drimel Andrade - 19/09/96)
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Tempestade
"Ninguém poderia imaginar
O quanto eu te amo, ó Tempestade!
Tu que és toda a liberdade
Da natureza a correr, girar, gritar e dançar.
Certamente quase ninguém
No meio da noite iria contigo dançar...
No entanto, eu ouso te acompanhar:
Quero sentir tua força e tua fúria selvagem.
Eu amo os teus raios e ventos e trovões
E amo todos os teus sons e cores e clarões,
Pois apenas tu podes de tudo me libertar.
Quero viver todas as tuas emoções!
Contigo desejo rodopiar, girar e dançar
Até o último instante chegar!"
(Thaís Drimel Andrade - 19/09/96)
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Uma Poesia...
"Quero fazer uma Poesia
Que não fale sobre amor ou ódio,
Que não seja feliz nem triste,
Que não tenha rimas
E que seja assimétrica...
E que em seus versos soltos
Espelhem-se os meus sentimentos revoltos...
Que seja uma Poesia
Cheia de vida
Com suas palavras mortas,
Mas que não fale de nada
E escarneça de tudo e todos
Com suas linhas tortas...
Quero que ela destrua todos os sonhos
E acabe com as ilusões,
Deixando nua a crua e fria realidade,
E congele o sangue nas veias.
Quero uma Poesia que seja um grito
De revolta contra tudo em que acredito,
Que ela seja aço, fogo, gelo, sangue e água.
Que faça levantar os mortos
E mate os vivos de tanto sonho e desespero,
Que acabe com a esperança
De quem sabe que não
Conseguirá escrever jamais essa Poesia
Que, não sendo nada, é maior que tudo
E é muito mais do que eu poderia
Um dia sonhar escrever...."
(Thaís Drimel Andrade - 11/96)
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Alguém II
"Há algum tempo atrás
Perguntaram-me quem eu era
E respondi que era alguém e também ninguém.
Novamente querem saber
Quem eu sou...
Eu sou, eu fui e eu serei
Aquilo tudo o que sempre fui
Desde o meu primeiro instante de vida.
E eu já sonhei, amei e tive medo antes,
E não vi meu sonho se realizar,
Vi meu amor perecer de dor
E temi a vida e morte
E o tudo e o nada.
E hoje eu sonho, amo e temo
Mas, agora, alcanço os meus sonhos,
Encontro a plenitude e a perfeição
Num amor que é perfeito e pleno
E mais do que tudo que há.
E tenho medo do que posso fazer agora
Que não há mais nenhum limite ou barreira
Para me deter, já que eu posso olhar
O mar, o céu, a terra, o inferno, o mundo,
O universo, o tudo, o nada, o todo, o absoluto,
O que já foi, o que é e o que será um dia,
Posso olhar para tudo o que há
E dizer, sem nada temer:
Eu Sou! Sim, Eu Sou!
E, principalmente, posso olhar
Para dentro de mim mesma,
No meu coração,
E, contemplando o meu ser
Para mim mesma confessar:
Eu Sou! Eu Fui, Eu Sou, Eu Serei
Sempre a mesma essência,
Embora mudem as aparências...
Não sou alguém, nem ninguém,
Eu Sou Eu e isso
É tudo o que tenho de ser."
(Thaís Drimel Andrade - 28/10/96)
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Liberdade
"A Liberdade
É, na verdade,
Poder fazer o que nosso ser
Mais almeja e deseja;
É ser feliz nas coisas mais simples;
É sentir ternura pela vida
Na sua forma mais pura;
É descobrir que
A loucura não existe;
E que tudo o que há
É o que somos e o que fazemos
E nós somos o que queremos
E podemos fazer tudo o que desejarmos....
(Thaís Drimel Andrade - 03/ 97)
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Sou Livre
"Eu sou livre, sim, eu sou!
Posso voar com as asas que sempre tive,
Com as asas que todos têm,
Embora nem sempre as usem...
Uso as asas da minha imaginação,
E na pena em minhas mãos
Está todo o poder da criação!"
(Thaís Drimel Andrade - 03/ 97)
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Deserto
"As palavras que calam
Em meus lábios,
Os versos que teimam
Em não serem escritos
Pela pena em minha mão,
E os sentimentos que brotam
Do íntimo do meu coração
E que não são expressos ou descritos,
Dos meus olhos vertem então,
Em forma de lágrimas ardentes
Que caem como pequenas
Gotas de orvalho nas areias quentes
Do escaldante deserto
Da incompreensão
E da não-imaginação..."
(Thaís Drimel Andrade - 15/04/ 97)
]
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Poesia
" Poesia, ó Poesia,
Sem o teu brilho
Para iluminar
A escuridão do meu coração,
O Que seria
De minh'alma?
O que poderia
Eu ser sem ter
A ti, ó Poesia?
Sem ti, ó querida
Torna-se nada a minha vida,
Sim, minha adorada,
Sem ti eu sou nada!
Tu és todo o sonho e fantasia
Toda a pureza e beleza
Toda a Vida e Alegria
Toda a luz e cor
Sem ti, ó Poesia
Só há desilusão, decepção,
Feiúra, tristeza, dor
Morte e escuridão.
Sem tua presença, Poesia,
Há apenas o vazio
A preencher o meu coração."
(Thaís Drimel Andrade - 04/ 06/ 97)
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Vida
"A Vida é tão pura,
simples e bela
como um lírio
em toda a sua alvura.
A vida é um sonho,
talvez até mesmo um delírio
de algum deus perdido
em uma manhã encantada de primavera.
A vida é um mistério,
como as imensas florestas
que, de um simples grão
brotam do chão.
A Vida é suave,
como o sussurro dos regatos
e a brisa vespertina
que esparge o doce perfume das flores.
A Vida é a mais bela poesia
dita no silêncio de um olhar
iluminado pela magia e fantasia do luar.
A Vida é amor
que nasce como uma flor
no fecundo jardim do coração.
A Vida é toda a harmonia e precisão
que movem o universo
com tanta sincronia e perfeição.
A Vida é a dádiva
suprema, sublime e eterna
que a todos é ofertada.
A Vida é única
em todas as suas múltiplas
e infinitas formas.
A Vida é tudo e é nada:
é tudo o que verdadeiramente existe
e nada que não seja perfeito.
A Vida é uma preparação
para a morte, que é uma extensão
da própria vida, que é infinita.
A Vida e a Morte são irmãs,
e, ao mesmo tempo,
são uma só.
A Vida não possui fim:
sempre nasce, cresce e morre para
novamente fazer parte deste ciclo eterno.
A Vida é tudo criado por Deus
e é sua própria razão de ser
e isso é tudo o que precisamos saber."
(Thaís Drimel Andrade - 20/05/ 97)
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Eu e os animais
"Nas noites enluaradas
sinto que nas entranhas de meu ser
coisas estranhas começam a acontecer:
Brota uma vontade incontrolada
de ser como os lobos para à lua uivar
ou como os pássaros, poder livre voar e cantar
e os céus cruzar para perto do Sol e das estrelas chegar.
Desejo tornar-me um peixe para nadar
e todos os segredos dos rios e oceanos desvendar.
Penso em ser vaga-lume
para a noite na floresta iluminar,
tornando-a mais clara e bela.
Como uma gazela desejo correr
pelos verdes campos e prados
intocados e percorridos jamais.
E sonho em ser um anjo para compreender
as línguas dos homens e dos animais
e com todos me comunicar.
E almejo ser Deus para compreender
a essência da Vida e todas as coisas do Universo.
E, então, compreendo que,
mais do que nunca, devo ser humana
para poder amar e respeitar
as vidas de todos os seres
e ajudar as outras pessoas
a amar, respeitar e deixar
os animais todos viverem em paz.
Mas antes disso ser possível
é necessário que um animal
apreenda o verdadeiro significado
do nome que carrega: "Homo Sapiens"
E, como se guiado por uma luz, à ele faça juz
aprendendo a conviver em
Paz com a sua própria espécie."
(Thaís Drimel Andrade - 22/06/ 97)
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